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Vitrine das Letras, por Rafaela


E chega o fim de ano...

Tanto tempo sem postar, mas eis que aqui estou. Já estava sentindo falta do método informal e hipertextual de escrever sobre impressões (entenda-se aqui: sentimentos, casos, oportunidades, enfim!) cotidianas. Hoje, finalmente, minhas aulas terminam e, voilà: sou uma profissional formada! E nesse rol de formandos desesperados, me pergunto: e agora? Pois é... Dizem que entrar na faculdade é difícil (bom, até que com tanta "tecnologia", fica quase impossível ser difícil fazer faculdade), mas dá pra garantir: o pior é sair. Estudar pra passar no vestibular, engordar, ser atormentado por horas de estudos a fio, em fins de semana, não é nada se comparada à agonia de terminar a faculdade e não saber ao certo qual rumo seguir. Mesmo já tendo certeza do que se quer fazer (no meu caso, lecionar!), o mercado de trabalho não está grandes coisas. Claro que a diferença se faz pelo formando, pelo quanto este se dedicou durante os quatro (ou mais) anos de estudo superior, o quanto é desinibido, responsável, dedicado, entre outras qualidades. Porém, hoje, só a graduação já não basta! E em muitos casos nem mesmo a especialização! E é assim... Terminar um curso de graduação pronto pro mercado de trabalho... Hum, acho que não existe isso não! O jeito é, como dizem, passar perfume, maquiagem, e ir à luta! (e vamos ser maquininhas de trabalho, nos afunilando em especializações e especificidades - owwwww fordismo do séc. XXI).

Vamos aproveitar o Natal, a virada de ano: datas tão especiais. Relembrar o que se passava há um ano atrás, ou até no começo desse ano. Quem sabe derramar lágrimas sentidas, já que um ano se passou, e dentro desse tempo (não tão longo, porém com cara de séc. pra quem queria que fosse de outra forma) tantas coisas aconteceram e se modificaram. Modificaram-se rostos, cabelos, jeitos, trejeitos, palavras... Há um ano o jeito de pensar era um, hoje, o jeito de andar é outro. Há um ano, casamento era assunto diário, e, hoje, é assunto futurista extremista longevista... rs Tudo muda muda o tempo todo no mundo, já dizia o poeta. E o que foi, foi! E o que vai ser, depende do que está sendo.

 

 

 

 



Escrito por Rafaela Cristine às 09h44
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Ser professor é...

 

 

 

Tá, eu sei que esse desenho é assustador. Mas adivinhem: é de uma professora de português. rs Quanta maldade conosco... Hoje é um dia muito especial: dia dos professores, dos nossos queridos mestres. Aqueles que xingamos, chamamos de horríveis, péssimos professores, dizendo que não sabem ensinar, que odiamos a matéria, que não suportamos olhar pra cara deles. É, hoje é o dia deles! Daqueles professores que jogamos bolinhas, espirramos perfume, jogamos giz, respondemos, fomos malcriados, fomos rudes e tiramos zero. Colamos em suas provas, fazemos o "ó" em suas aulas. E quando damos valor a esses mestres? Quando ficamos mais velhos e pensamos na importância que tiveram em nossa formação profissional ou quando nos tornamos um, como é o meu caso.

Hoje, eu amo mais do que tudo ser professora. Fui aprendendo, ao longo do tempo, que não preciso ser a mais querida ou a mais ríspida, mas aquela que faz diferença na vida de cada um que ouve minhas palavras diariamente. Se amo o que faço, eles também passarão a amar. Essa é minha filosofia de trabalho. Amar e fazê-los amar a Língua Portuguesa. Sem regras, sistemas e esquemas. Alunos são pessoas, não bichos. Cada um tem seus problemas, assim como nós, professores. Não entram na sala de aula 100% aptos ao aprendizado. Nós, mais velhos, ainda conseguimos deixar os problemas em casa, mas eles não. Tem pais separados, choram a morte de um ente querido, sofrem por amor, querem liberdade e atenção, além de muito carinho. Não são monstros a temer. Por mais que sejam arteiros, faladores, quietos demais... Cada um tem seu estilo, mas todos em busca da mesma coisa: serem reconhecidos como são. Jamais serem comparados ou igualados, mas valorizados por suas qualidades e atributos. Claro que, assim como há alunos e alunos, há professores e professores.

Nunca me esqueço daqueles mestres que marcaram presença em minha vida desde a infância. Hoje me veem e até choram, sentindo-se orgulhosos por verem como cresci profissionalmente. E eu os amo e respeito muito além, hoje. Pois a missão, eu garanto, não é fácil. Mas para os apaixonados, basta se entregar e sentir em cada poro o verdadeiro amor pela arte de lecionar. A sala de aula, muitas vezes, torna-se um palco: o professor vira artista, palhaço, contador de piadas. Outras vezes, um palanque: é a autoridade que todos temem. Em mais casos, é um ninho de amor. Uma troca recíproca de conhecimentos e carinhos. Que possamos, como educadores, ser mais receptivos às ideias e loucuras dos nossos alunos e, por que não, participar dessa loucura e fazer do mundo um lugar melhor através das nossas lições.

FELIZ DIA DOS PROFESSORES!

 

 

 



Escrito por Rafaela Cristine às 20h25
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Conto da maturidade emocional

Enfim, chegara a primavera. Um dia lhe disseram que era a melhor estação do ano. As flores sempre dão um aspecto mais vivo ao que quer que seja. O perfume, a beleza encantadora das variadas cores e formas florais encantam a qualquer um, diziam. Os dias são mais longos, mas ela não entendia direito como funcionava esse negócio de trópicos, dias e noites mais longos ou mais curtos. O que importava é que podia admirar o pôr-do-sol, sua grande paixão. Como era lindo ver o céu ficando avermelhado, às vezes meio arroxeado, sempre com formas diferentes. Nenhum pôr-do-sol era igual a outro. Cada um com sua peculiaridade e isso a fazia entrar em êxtases. Gostava do diferente. Da surpresa. Do inesperado. A rotina, o igual a cansavam e enjoavam. Lembrava-se da sua infância, quando as joaninhas pousavam em sua mão e ela ficava admirando as bolinhas, enquanto sentia leves cócegas pelo caminhar da joaninha em sua mão tão pequena. Fazia um pedido e soprava a joaninha. Se oasse, o desejo se realizaria. Se não, não, diziam. Mas as pessoas dizem tantas coisas... Quando adolescente, acreditava em tudo que lhe diziam. Vivia apaixonada e chorava a cada vez que descobria não ser correspondida. Mas o tempo passa... Sentia a necessidade de provar pra si mesma que era capaz de viver sem se apaixonar, de ter romances sem que suas pernas bambeassem e, o principal, sem que acreditasse em qualquer palavra proferida. Ela tentou, e como tentou! Tentou não ser boba apaxionada e se deixar levar por expressões, sentimentos (mal de mulher, ainda mais indefesa), mas não conseguia. Chorava lágrimas silenciosas. Um dia, pela última vez, ela acreditou. Disse pra si mesma: é a última vez, ele merece essa credibilidade. Qual não foi sua surpresa ao pereceber que, mais uma vez, enganara-se. E sua busca, hoje, não é mais por provas ou sinceridde, insinceridades. Sua busca é por si mesma. Como pode amar se não se conhece? Como pode acreditar em outrem se não acredita em si? Dessa vez vai dar certo, diziam... E ela vê o pôr-do-sol sozinha, vai ao cinema consigo mesma, busca a plenitude dentro do seu próprio ser. O outro, bom, é só um complemento pra si mesma. E um dia, quem sabe, diziam...



Escrito por Rafaela Cristine às 14h29
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Conto da paz adormecida

Ele a olhava firmemente. Sentia pena da moça que estava ao seu lado. Mas ao mesmo, amava-a intensamente. Doía-lhe o peito o que estava fazendo, mas ela merecia. Sim, merecia por ser ela. Tão linda, tão jovem, tão... Conteve os pensamentos.

- Por que está fazendo isso comigo?, perguntou ela, entre lágrimas, quase sussurrando.

- Não sou quem está fazendo, você fez a si mesma.

Queria abraçá-la e dizer que tudo se esquecesse, que ela era a mesma, no entanto não era. Ela merecia. Sim, merecia sofrer, pagar seus pecados como Maria Madalena. Mas ele não seria seu Cristo. Queria apenas deixá-la. E foi o que fez. Virou as costas, diante de choros e lamentos do grande amor de sua vida, e foi embora.

Ele se fora. Quanta dor em seu peito. Simplesmente virara as costas e se fora. O que fizera para merecer tanta dor? Com o coração aos pedaços, levantou-se. Talvez realmente merecesse. Não era de todo culpada. Mas os relacionamentos tem disso: altos e baixos. Não aguentava mais os baixos que lhe tiravam a paz de espírito e não a deixavam dormir. Não havia sentido continuar daquela maneira. Ela precisava existir, ser ela mesma, viver sua vida, e não a vida dele. Ciúmes, gritos, brigas. A paixão do começo já não era a mesma. Se insistisse mais... Não. Tudo estava perdido. Realmente perdido. Passou a noite toda acordada, pensando. Como pudera deixar chegar àquele ponto? Como pudera deixar o amor lhe escapar por entre os dedos? Nunca mais teria aquele abraço. Nunca mais teria aquele lindo sorriso. Nunca mais teria suas palavras confortantes. Nunca mais lhe teria. A dor se tornava aguda. Foi até a cozinha. Pegou um copo com água.

Ao voltar para o quarto, fez uma última tentativa: ligou. Nada. Estava tudo resolvido.

Era uma manhã de primavera. Como todas as manhãs de primavera, um leve vento soprava entre as copas das árvores. Um clima agradável. Um cheiro perfumado no ar. A mãe entrou no quarto, gritou e desmaiou. Ela havia encontrado sua paz.



Escrito por Rafaela Cristine às 20h27
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Por amor ou por besteira?

Por amor ou por besteira? Sempre deixo essa frase no meu msn, e muitos vem me responder: é por amor... Outros, mais audaciosos, dizem: é por besteira... Enfim, continuo perguntando: por amor ou por besteira? O motivo de começar a escrever com essa pergunta, proposta pelo grupo musical Nação Zumbi (excelentes!), é que acabei de receber uma triste notícia: um senhor de mais de sessenta anos, vizinho nosso aqui no bairro, foi encontrado morto hoje de manhãzinha, pela empregada! Suicídio! E é estranho, acreditem! Todos os dias, pela manhã, ele fazia caminhada e passava em frente à minha casa! Cumprimentava a todos sorrindo, com uma alegria jovial que só os bons de alma podem ter e deixar transparecer. Mas, surpresa: o homem morava sozinho e tinha depressão! Talvez num momento desesperado, tirou a própria vida. E então, eu pergunto de novo: por amor ou por besteira? Renato Russo, poeta incomparável contemporâneo, disse sabiamente que o mal do século é a solidão (e ele estava em fins de séc. XX, e já estamos indo pro fim da primeira década do séc. XXI). Quem estudou literatura, deve se lembrar que o período do Romantismo foi divido em três fases. A segunda, chamada de mal do século, ou byronismo, venerava o escapismo, a busca pela solidão, a adoração pela morte e pela beleza mórbida das mulheres (a palidez, o aspecto frágil). Morrer era uma graça, uma vitória! E hoje, o que significa morrer? Fico me perguntando o que o Sr. Nestor (esse era seu nome) esperava ao acabar consigo mesmo. Acabar com uma dor profunda, com a solidão? Encontrar o Paraíso ou o Inferno? Em meados do séc. XIX, o mal do século (também chamado assim pelo grande número de mortes por tuberculose, inclusive de escritores jovens - menos de 24 anos) era visto como a glória para os escritores. E hoje, volta. A solidão, a depressão atinge um sem fim de pessoas. Consultórios de terapeutas estão abarrotados, de psiquiatras, cada vez mais procurados. O que aflige nossa sociedade? Por que o medo de viver, de se deixar entregar às belezas que a vida nos proporciona? Por que recusar a companhia de quem nos quer bem? Por que não admirar a natureza e suas perfeições? Por que se deixar abater por sentimentos ruins enquanto momentos maravilhosos nos esperam? Enquanto pessoas nos amam? ALiás, como ficam as pessoas que nos amam se resolvermos tirar a própria vida? A dor não é pra quem se vai, mas pra quem fica. Pois, além da falta física, ficará sempre a dúvida: por quê? Como cristã, acredito que, se Deus deu a vida, só Ele pode tirá-la. Podem concordar ou discordar, mas a força que move o Universo é Deus. E a morte, incógnita que é e sempre será, deixa vestígios por onde passa. Talvez o homem estivesse querendo um pouco de paz. Talvez ele quisesse que sentissem sua falta. Talvez ele achasse que viver não vale mais a pena (e Fernando Pessoa diz: tudo vale a pena se a alma não é pequena!). Talvez ele estivesse descontente consigo mesmo. Talvez ele tenha tido um surto de loucura momentâneo que o levou a isso. Talvez ele tenha se apaixonado. Talvez, talvezes... (mesmo sendo uma palavra invariável, eu quero variar, eu tenho esse direito! Pois a variação muda de um para outro. Muda de mim para o Sr. Nestor, dele para você, de você pro seu amigo, e é um círculo infinito de buscas e variações extremas). O que vale, é encontrar a resposta. Eu prefiro buscar respostas dentro de mim, ou fora. Ele preferiu uma única resposta para todos os seus problemas: a morte. E sinto calafrios ao lembrar do velhinho simpático que sorria toda manhã, e fazia exercícios para se manter saudável... Tirar a vida: por amor ou por besteira?



Escrito por Rafaela Cristine às 10h29
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De larva a borboleta

Tenho uma leve tendência a ser feliz. Sorrisos de dia, sorrisos de noite. Nada se equipara a ser eu mesma em qualquer situação. Mas o paradoxo de ser eu mesma está longe de terminar. Quando me procuro, não me acho. Quando quero ficar só, encontro as respostas que não busco. Rio pra não chorar, e choro de tanto rir. Eis minha doce oposição: ser enquanto sou, mas ser enquanto não sou. Não basta fechar a janela. Os pensamentos descobrem frestas. Por mais finas que sejam e por elas escapam. Precisaria de uma vida pra entender, mas minha vida corre por minhas veias agora. A qualquer instante, ela pode parar e o que terá restado? Um corpo. Apenas isso. Um corpo sem vida, que não pensa, não pulsa, não expele. Preciso ser firme, ok! Preciso! Mas onde há fórmulas? Posso deixar passar despercebidos sentimentos e emoções que me afloram. Guardo para mim mesma aquilo que não há necessidade de ser dito a outrem. Mas não estou só! Antes estivesse, e pudesse gritar aos quatro ventos, correr, sentir a brisa no rosto, ouvir Chopin sem culpa, Schubert, amando, e Beethoven sem enlouquecer com as notas esquálidas. "Você é cativante", dizem uns. "Você é muito querida", dizem outros. "Você é inteligente", arriscam alguns. E eu me pergunto: de que adianta ser jovem, bonita, inteligente, simpática, cativante se amanhã já será ontem e hoje será eternamente o dia que demora a passar? Sou fraca. Bem que poderia ser mais forte mesmo, e pensar mais com a razão. Ser racional é um rito. Exige força, exercício e, até crueldade. Seria eu capaz? Ora sou uma, ora sou outra. A doce meiga querida alegre... Não. Sou esporádica. Voraz. Polissêmica. Várias vozes falam em mim. Várias vozes falam por mim. Peço vênia a dizer... Ah!, minha vida não é mais a mesma. Não espere encontrar aquilo que se encontrava antigamente. A metamorfose aconteceu, e foi dolorida, muito dolorida: de larva, passei a borboleta. Hoje tenho vôos leves e encantadores. A doce borboleta que não cessa de alçar vôos mais altos... Busco em instantes o que aqui não há, mas que o surreal pode dar-me. A borboleta só precisa saber onde pousar, pois voar ela já aprendeu... O difícil é parar, sem medo, sem receios de ser levada... Enquanto isso, borboletar felizmente, esconde a tristeza de ter sido larva, a agonia de não saber onde pousar, a fatalidade de ser nova demais num mundo de odiadores de borboletas.



Escrito por Rafaela Cristine às 08h53
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Amor e erotismo

Muito se fala em amor. E não é clichê dizer que o amor move o mundo. Mas, de fato, o que seria realmente o amor? Um apego, uma atração, um desejo fatale? Em verdade, digo que, pra mim, o amor é algo muito mais grandioso do que qualquer suposição feita. E olha que suposições são feitas aos montes. Hoje mesmo recebi um e-mail de um ex namorado e, numa de suas frases um tanto quanto alteradas, dizia o seguinte: "Você precisa de Deus. Sua doença não é física, mas de alma e coração. Você nunca me amou. Nunca amou ninguém. Você não sabe o que é o amor." Admito: fiquei pensativa... Claro, a palavras vindas de quem foi "deixado" não se deve dar muito crédito. Mas toda essa questão sobre o amor relamente me deixou pensativa. Se eu não sei o que é o amor, alguém poderia me explicar, por favor? Como já dizia Renato Russo... "Quem inventou o amor, me explica, por favor?" Amar é querer andar de mãos dadas, ir ao cinema, querer bem, ser fiel para com o outro...? Então eu amei. Pretérito perfeito do Indicativo! Mas eis que, no auge da minha dor de um siso tirado, estudando para escrever meu artigo, li um texto interessantíssimo de um linguista (sem trema mesmo! É a "magnífica" reforma) espanhol chamado Alfonso López Quintás, intitulado "A manipulação do homem através da linguagem". Como nunca deixo de admitir, a linguagem é o fascínio da minha vida! Nada me deixa tão extasiada quanto estar em contato com a linguagem, estudá-la, analisá-la, utilizá-la... Claro, não só a linguagem verbal! Não me foi surpresa descobrir que somos manipulados e manipuláveis (oh, que novidade!), mas o autor dá um aspecto interessante sobre o que é manipular. Para tanto, entra no reino do erotismo. Sim, acreditem, o erotismo! Diz que, em muitos casos, somos condicionados a objetos, pois queremos "ter" as pessoas. O verbo ter denota posse, situação complicada quando se fala em amor. Para o autor, tratar as pessoas como objetos é reduzi-las a meros clientes, manipulá-las, a fim de dominá-las. Intenso... Muito! Mas o melhor ainda está por vir... Para Alfonso, esse reducionismo se dá através da crueldade ou da ternura erótica! Lindo isso! À crueldade corresponde a redução da pessoa a objeto, para dominá-la, sem restrições, sendo uma prática manipuladora sádica (realmente, é cruel)! Já à ternura erótica corresponde reduzir a pessoa a corpo, a mero objeto de prazer. É, mesmo que terno, reducionista e sádico. E agora vem a melhor parte: essa carícia pode ser de dois tipos: erótica e pessoal. Mas o autor, antes de entrar estritamente nesse campo, faz uma ressalva sobre o que é o erotismo, e, a meu ver, o que é o amor. Em suas próprias palavras:

"Para compreender o que, a rigor, o erotismo é, recordemos que, segundo a pesquisa ética contemporânea, o amor conjugal apresenta quatro aspectos ou ingredientes:

1) A sexualidade, na medida em que implica atração instintiva pela outra pessoa, de prazer sensorial, de comoção psicológica...;

2)A amizade, forma de unidade estável, afetuosa, compreensiva, colaboradora, que deve ser criada de modo generoso, já que não possuímos instintos que, postos em jogo, dêem lugar a uma relação deste gênero;

3) A projeção comunitária do amor. O homem, para viver como pessoa, deve criar vida comunitária. O amor começa sendo dual e privado, mas abriga em si uma força interior que o leva a adquirir uma expansão comunitária. Isto acontece no dia do casamento, quando a comunidade de amigos - e no caso religioso - de fiéis acolhe o amor dos novos esposos;

4) A relevância e fecundidade do amor. O amor conjugal rem um poder singular para incrementar o afeto entre os esposos e dar vida a novos seres. Não há nada maior no universo do que uma vida humana e o amor evrdadeiro por outra pessoa. Por isso, o amor conjugal rem uma relevância singular, uma plenitude de sentido e uma valor impressionantes.

Esses quatro elementos (sexualidade, amizade, projeção comunitáira, relevância) não devem estar meramente justapostos, um ao lado do outro. Devem estar estruturados. Uma estrutura é uma constelação de elementos articulados de tal forma que, se um falha, o conjunto desmorona. Agora podemos compreender de modo preciso o que é o erotismo. Consiste em isolar o primeiro elemento, a sexualidade, para obter uma recompensa passageira, e prescindir dos outros três. Essa separação puramente passional destrói o amor na raiz, privando-o de seu sentido pleno e de sua identidade. [...] Na realidade, não amo a outra pesso; desejo o prazer que me édado por algumas de suas qualidades. [...] Por isso reduzo a outra pessoa a mera fonte de satisfações para mim. Essa redução desconsiderada é violenta e sádica. [...] Na origem da cultura ocidental, Platão entendeu "eros" a força misteriosa que eleva o homem a regiões cada vez mais altas de beleza, bondade e perfeição. Atualmente, se entende por "erotismo" o manejo desenfreado das forças sexuais, sem outro critério e norma que o da própria satisfação imediata. Obviamente, este encerramento no plano do proveito imediato indica uma regressão cultural".

Aos menos informados, digo: Alfonso é um gênio. Tá certo que um pouco "politicamente correto", afinal, as buscas pelos prazeres não podem se reduzir, também. Mas quando ele falou em deixar os quatros elementos estruturados, matou a charada! E fica a dúvida... O que é mesmo o amor? Cada um no seu quadrado...



Escrito por Rafaela Cristine às 18h13
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Conto da maturidade

Sexta à noite. Chego em meu apartamento, com cheiro de novo, e aspiro o ar da liberdade! Sim, esse é o meu momento! Abro a porta da sacada e olho a cidade. Tantas luzes piscam. Paro pra pensar em quantas pessoas estariam sentindo a mesma sensação que eu, naquele exato momento. Com tantas vidas ardendo, alguém deveria estar feliz, rindo à toa, abrindo os braços na sacada, deixando o vento acariciar o rosto... Ligo o rádio. Liberdade sem música não tem muita graça! Danço sozinha ao som de Mutantes. Canto, pulo, exerço meu poder de ser livre, de ser independente, de olhar aquilo que conquistei. Indo ao banheiro para tomar aquela ducha gostosa, vou tirando a roupa pelo caminho, peça por peça e sentindo... Sentindo as vibrações do espaço com meu corpo. Adrelina alta, muito alta! Antes, paro no corredor e arrumo o quadro que estava pendendo para o lado esquerdo (mania de detalhista e artista plástica). Me olho no espelho: leves manchas de tinta marcam meus cabelos negros, a pele alva (como uma morta, dizia minha mãe sobre minha palidez natural). O dia fora cansativo, nem por isso triste. Meus alunos estavam agitados, talvez inalando meu odor de felicidade. As telas saíram bonitas. Estavam melhorando. Oferecia as opções: cores quentes? Vamos misturar os tons? O que acha de cubos no canto esquerdo? Talvez uma ave pontilhada em cima, ou uma linha mole dando acabamento. Sombreie mais. Enfim, um momento só meu. Massageio meu pescoço, alongo os braços, as pernas. Me aproximo mais do espelho: vejo que algumas rugas começam a surgir nos cantos. E, me olhando, naquele exato instante, um pensamento surge: o que fiz da minha vida? Quanta obviedade... Estudei, queria ser independente. Três faculdades, duas especializações, um mestrado. Nada mal. Minha vida era boa. Eu atingira meus objetivos. A felicidade, a liberdade, a independência estavam ali, à minha frente. Eu podia sentir. Meus poros exalavam risos. Nua, no banheiro, comecei a chorar, mesmo com tantos motivos pra sorrir. Talvez sorrisos demais durante muito tempo. Quando fora a última vez que chorara? Quando fora a última vez que parar pra pensar sobre minha vida, sobre mim e outra pessoa? O tempo havia passado. O que restou? Uma mulher de quase quarenta anos, professora, artista plástica, independente, mas sozinha. Seco as lágrimas. Corro até a sala e coloco meu doce Gonzaguinha. Aumento o volume e canto: "viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Ah!, meu Deus, eu sei que a vida devia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita!"



Escrito por Rafaela Cristine às 20h32
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Meu intrínseco jardim

Eu poderia esperar que aquele momento durasse o tempo necessário pra ficar guardadinho na memória. Mas não era o que meu coração esperava, apesar de ser o que ele desejava. Sim, claro. A óbvia diferença entre esperar e desejar! Como diz aquele ditado?! Querer nem sempre é poder, ou algo assim (como sou péssima com ditos populares, e olha que adoro estudar a linguagem popular.). Enfim... Um momento único. Meu coração disparado, o seu também. ATé quando? Até quando fosse bom? Ou necessário? Precisava parar com aquilo. Outras pessoas estavam envolvidas. Meu mundo não poderia ser somente você, já que você nunca caminharia no rumo do meu. Minha órbita se desloca e você não me acompanha, não acompanharia, mesmo que fosse seu maior desejo. Quanto ao meu desejo, ele precisa parar. Olho nos seus olhos, respiro fundo. Isso precisa acabar! É meu primeiro pensamento. E meu coração bate ainda mais acelerado. Preciso sair de perto de você, deslocar meu corpo e meus pensamentos. Tenho uma vida pela frente, não posso deixá-la passar... Enquanto isso, o vento vai e o vem (Marisa... ). Lá fora, sim, o vento. O frio. Por dentro, o calor. De onde vem? Não sei explicar... Tento entender. Vou embora. Coração apertado. Dúvidas, medos, sonhos. O que fazer? A noite não passa, o dia corre devagar e eu pareço estar estagnada, pensando, pensando, pensando. Abro "A Idade da Razão", e tento encontrar em Sartre as respostas. Talvez eu esteja na idade da razão. Não, jovem demais pra tomar decisões demasiado grandes, que podem modificar vidas. Pra ser sincera, grande conversa fiada. Essa estória de juventude, maturidade. Não estou pronta, eis minha resposta às dúvidas. Não estou preparada pra sair do ninho. Chega o outro dia e te encontro. Como é bom sentir seu abraço! Como é bom te olhar e saber que você está ali, na minha frente! Como é bom sonhar e ter planos, mesmo que não sejam ditos. Mas eu sei, com a incrédula sensação de realidade, que ia acabar. Eu iria sofrer, cedo ou tarde. Era só uma questão de tempo. "O que foi filha, você está bem?" "Não mãe, nada bem!". "Rafa, o que você tem?" "Nada gente, eu estou bem, na verdade, quero desaparecer". E passam-se os dias... Passam-se as horas intrínsecas em meu peito. Eu quero ver o teatro, eu quero ouvir a música, eu quero sentir o vento, eu quero tocar seu rosto. Não posso mais. E assim os dias se sucedem. Eu, sozinha, esquisita. Você, sozinho, esquisito. Pensamentos vagos um no outro, mas que não se juntarão. Talvez seja a hora de abrir meu Les fleurs du Mal. É, Baudelaire me entenderia. Ou Augusto dos Anjos. Ou Álvares de Azevedo. Ou Proust. Ou Poe. Chega, chega! Relativizar e toerizar não resolverá. Mas escrever, ah!, sim, sim! Escrever liberta minha alma, mas meu coração continua preso, ao som de Yann Tiersen, ao filme de Amélie, à leitura de Invenção e Memória e nada vai libertá-lo. Talvez ele queira estar sim. Amanhã é dia de programa. Hoje foi dia de repensar. Ontem foi dia de chorar, e quem sabe o que será de agora em diante, com o coração preso, vazio, aos pulos... Sem medo, ouço sua voz ao meu ouvido. Ao mesmo tempo, sinto seu abraço me envolver, numa proteção infinita e seu cheiro que não me deixa em paz. Preciso, sim, de proteção, mas de mim mesma! E quem poderá fazer isso por mim? Chegou a hora da menina aprender a ser mulher, assumir seus atos e viver, viver, viver tão docemente, irremediavelmente a dor de mais uma flor caída em meu jardim. Coitadas das borboletas... Quando será que desistirão do meu jardim?



Escrito por Rafaela Cristine às 19h48
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VIVA LA VIDA, MON CHOU!

Você pode viver num mundo de sonhos. Claro! Pode acreditar no que quiser, e tornar real, desde que pra você seja realidade. Perder os pés do chão por um tempo é legal! Mas quando se torna sério, chega a ser frívolo. É uma emboscada! Da sua própria mente. Você, sonha, imagina, acredita que pode tornar realidade. Mas vem a realidade espúria, escatológica, e numa queda fatal, a percepção de que sua imaginação sofreu um extermínio! Benditos sejam os que conseguem sonhar e manter os pés bem presos. Malditos sejam os que sonham, caem e tem o desejo de continuar sonhando. Bom, você pode não concordar comigo. É até melhor! Gosto de oposições, já que minha própria vida é um paradoxo. Preciso da discordância pra viver em paz, preciso do perigo, do risco pra sentir que vivo! Preciso sentir meu sangue ferver e o coração bater mais rápido pra saber que é realidade, e não sonho, ou que um mero sonho, desses pequenos (porque os grandes parecem correr ao léu com minha tentativa de realizá-los), se transformou. De que me adianta a filosofia, a história, as letras? Vãs tentativas de compreensão de um modo remoto interior. Eu tenho em mim a duplicidade, e você, o que tem? Há em mim a louca, apaixonada, sonhadora. Há em mim a realista, a desejosa. Tudo inconstância. Verdades? Quem pode garantir que uma palavra é verdade? Até que se prove o contrário, tudo que é dito é tido como verdadeiro. Me mostre a mentira e eu te mostro como a verdade é mais estapafúrdia, e mesmo assim, vale mais a pena. Só não tente me convencer do que não é. Nem tente me mostrar alguém que é pura invenção, porque meu coração pulsa no compasso do mundo, acompanha a essência da existência. Minha vida é frágil, e você pode sentir minha fragrância, desde que acredite que é verdade. Cuidado! Posso ser um autêntico holocausto, se acreditar que o que existe em mim é mais do que simplicidade. Claro, não me entenda mal. Holocausto num bom sentido. Sem medo, sem receios, venha ao meu encontro e encontre-se. A possibilidade existe, é palpável. Não um simples sonho. Posso causar extrema paracusia em seus ouvidos, te criar um sintagma pra compormos um paradigma. Qual sua vontade? Se eu soubesse ao menos a minha.

As palavras estão ditas. E tidas como excêntricas, por você. Mas não se iluda, pois minha excentricidade é sobrenatural e você pode crer, que minhas verdades são muito mais maiores que qualquer mentira criada para engolir a realidade. Posso até exacerbar aquilo que sou, mas e você? O que é? Quem é? Que pode me dizer de você? Dos seus sonhos? Dos seus medos? Não me diga que eu sou um medo pra você, por favor. Sinto informar que meus desejos são meus senhores, e sou serva de mim mesma. Enfim...

 

"Se não vai, não desvie a minha estrela, não desloque a linha reta..."

 

VIVA LA VIDA, MON CHOU!



Escrito por Rafaela Cristine às 10h50
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A VIDA ENSINA

A VIDA ENSINA 

 

(Arthur da Távola)

 

 

Se você pensa que sabe, que a vida lhe mostre o quanto não sabe.

 

Se você é muito simpático mas leva meia hora para concluir seu pensamento; que a vida lhe ensine que explica melhor o seu problema, ou conta melhor o seu caso, aquele que começa pelo fim.

 

Se você faz exames demais; que a vida lhe ensine que doença é como esposa ciumenta: se procurar demais, acaba achando.

 

Se você pensa que os outros é que sempre são isso ou aquilo; que a vida lhe ensine a olhar mais para você mesmo.

 

Coma cebolas, muitas cebolas. Fazem bem à saúde e muito ajudam contra chatos em close. Chato em close é aquele que fala com a cara em cima da sua. Você recua, ele avança. Dá muito em coquetéis.

 

Se você pensa que viver é horizontal, unitário, definido, monobloco; que a vida lhe ensine a aceitar o conflito como condição lúdica da existência.

 

Tanto mais lúcida quanto mais complexa.

 

Tanto mais complexa quanto mais consciente.

 

Tanto mais consciente quanto mais difícil.

 

Tanto mais difícil quanto mais grandiosa.

 

Se você pensa que disponibilidade com paz não é felicidade; que a vida lhe ensine a aproveitar os raros momentos em que ela (a paz) surge.

 

Que a vida nos ensine, a todos, a nunca dizer as verdades na hora da raiva.

 

Que desta aproveitemos apenas a forma direta e lúcida pela qual as verdades se nos revelam por seu intermédio; mas para dizê-las depois.

 

Que a vida ensine que tão ou mais difícil do que ter razão, é saber tê-la.

 

Que aquele garoto que não come, coma.

 

Que aquela que mata, não mate.

 

Que aquela timidez do pobre passe.

 

Que a moça esforçada se forme.

 

Que o jovem jovie.

 

Que o velho velhe.

 

Que a moça moce.

 

Que o ninho aninhe.

 

Que o abraço abrace.

 

Que o perdão perdoe.

 

Que tudo vire verbo e verde. Verde. Como a esperança. Como no princípio.

 

Pois, do jeito que o mundo vai, dá vontade de apagar e começar tudo de novo.

 

A vida é substantivo, nós é que somos adjetivos.

 



Escrito por Rafaela Cristine às 11h09
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O prazer nas palavras

 

Uma breve apologia ao livro de Roland Barthes (a princípio, um dos meus autores favoritos, discursivamente falando) "O Prazer do Texto". O que motiva sentir prazer ao ler um texto? ALiás, o que é sentir prazer? O prazer, em sua terminologia, ainda, ao ver de Barthes, "vacila, tropeça, confunde. De toda maneira, haverá sempre uma margem de indecisão; a distinção não será origem de classificações seguras, o paradigma rangerá, o sentido será precário, revogável, reversível, o discurso será incompleto". As considerações obre o prazer não provem de hoje, mas de muito antes de se sentir. Basta considerar, nesse caso, o sentir, desprovendo as explicações. A teoria literária tenta dar conta do recado explicando o prazer através da "Estética da Recepção". Essa teoria leva em consideração a recepção do leitor ao que é lido, ou seja, como ele reagirá ao que as palavras lhe dirão. O escritor quis dizer algo? Problema dele... Sinceridade mesmo é o momento em que o leitor abre o livro, recosta-se e sente: "Esse é o momento", e cada palavra entra para sair por seus poros, desejando voltar e ali ficar, até não sobrar mais nada. Barthes é sincero. Nesse momento, o autor morre. Ele não existe mais. Somente o leitor e a obra, e o prazer. Aquilo que sonda, deixa mistério, marcas e, o principal: o desejo. Sim, o desejo de continuar, não deixar nenhuma palavra escapar. Guardá-las na caixinha da memória e trancar a sete chaves. Clichê dizer que só sente bem quem lê aquilo que gosta. Não! A fruição, o prazer no ato da leitura vai além, muito além: dele não depende a ideologia, nem o assunto, nem a estrutura, mas o caos: o caos que tudo cria e transforma, que tudo recria e restringe. Eu garanto: as palavras tem vida! E como tem! Pode pensar... Acima, uma poesia visual de Arnaldo Antunes (um AA perfeito pra quem se sente solitário!!!!!!! meu caso...). Um jogo de palavras simples, que isoladas não dizem muita coisa. Podem até trazer sensações ou imagens, mas não significam grande coisa. Mas bem trabalhadas, ah!, que trabalho! Que unanimidade criativa de AA! Eu, já extasiada pela leitura como fonte de inspiração cultural, não desejo mais nada, a não ser embeber-me de palavras e mais palavras, deleitar-me em seu colo, ouvir sua respiração, sentir sua pulsação e procurar, nunca em vão, pelas respostas. As respostas que elas mesmas me dão... O prazer nas palavras não sugere somente a fruição, mas o desejo, o esgueirar-se por entre tantas e tantas, sentir, saborear e me deliciar com cada toque gentil e suave. Ah, as palavras...



Escrito por Rafaela Cristine às 15h39
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- Ela parece distante... talvez seja porque está pensando em alguém.

- Em alguém do quadro?

- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.

- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.

- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.

- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?

(trecho do filme Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain)

 

"Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é. "

 

 



Escrito por Rafaela Cristine às 11h08
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Para falar da vida, dos sentimentos que nos cercam, das confusões e nebulosidades que rondam nosso ser, escolhi meu filme preferido: "Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain". Quem não assistiu, vale a pena! Amélie, além de uma garota super inocente, é doce e singela, privilegia pequenas coisas e pequenos momentos que fazem de sua vida uma verdadeira maravilha. Sofre, chora, tem medo, recua, ama, vive o momento. Amélie é mais do que uma personagem, mas uma filosofia de vida. Quem dera ser como ela... Ter coragem de arriscar, sem ter medo! Esperar a hora certa e viver cada segundo intensamente, como se não houvesse um próximo. Pensar em cada passo para realizar uma conquista, uma conquista desconhecida! Uma conquista baseada em fatos "virtuais", que não a deixam dormir em paz! E ela se apaixona, reapaixona e se entrega. Como cada momento deve ser visto como cada momento, sem ultrapassar o limite do limite imposto por ela mesma. Amélie segue uma rota de conquista não só de um momento valioso, mas numa busca singular de si mesma. Essa busca só tem fim quando ela percebe quem realmente pode ser e do que é capaz. Sonhos... Amélie tem muitos. E busca realizar aquele que lhe concede maiores sensações boas de serem vividas. Ah!, doce Amélie... Como queria ter sua coragem, sua força, sua imaginação, sua criatividade, seu bom senso de ser quem é e ponto.

      OS MELHORES MOMENTOS

  • Apaixonar-se

  •  Rir até doer a barriga
  •  Encontrar milhares de e-mails dos amigos quando abre o correio eletrônico
  •  Passear por algum lugar lindo
  •  Escutar a canção favorita na rádio
  •  Deitar na cama e ouvir a chuva lá fora
  •  Sair da ducha e ter a toalha quente
  •  Receber uma chamada de alguém que não vê há muito tempo
  •  Uma boa conversa
  •  Encontrar dinheiro numas calças que não vestia desde o ano passado
  •  Rir de si mesmo
  •  Chamadas à meia noite que duram horas
  •  Rir sem motivos
  •  Escutar acidentalmente que alguém fala bem de você
  •  Acordar e perceber que ainda pode dormir um par de horas
  •  Escutar a canção que te recorda "essa" pessoa especial
  •  Fazer parte de uma boa equipe
  •  O primeiro beijo 

  •  A primeira vez de algo significativo

  •  Fazer novos e bons amigos
  •  Sentir cócegas na barriga cada vez que vê a "tal" pessoa
  •  Passar um bocado de tempo com os melhores amigos
  •  Ver felizes as pessoas que ama
  •  Usar a camisa da pessoa que gosta e sentir o seu perfume
  •  Ver um velho amigo e sentir que as coisas não mudaram
  •  Olhar um pôr do sol
  •  Ter alguém que diga que te ama

 



Escrito por Rafaela Cristine às 15h36
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Essa sou eu!

Escrever revira minha alma. Revira meu corpo, meus dias e meus espaços. Espaços incompletos quando não escrevo, não descrevo, não reescrevo, não "vivo-escrevo". Mas não pode ser qualquer escrita, não! Tem que ser aquela que me deixa com água na boca de vontade continuar... Continuar escrevendo, sem a necessidade de parar e reler o que já está escrito!Gostaria de escrever para mim, mas que importância teria? Dizem que escrevemos sempre o outro ler. Meu outro, quero que seja eu mesma. A leitora, a escritora. A vida impressa em leves palavras. Se escrevesse sobre mim, a escrita seria dura, complicada. Haveria necessidade de grande exegese para compreender, já que me compreender é a parte mais difícil. Olhar para mim mesma e descobrir medos, sonhos, desejos ou inevitáveis reações não me fazem diferente. Queria me olhar sem me olhar. Olhar por dentro, virar e remexer na alma e no pensamento, mas sem me olhar por fora. O exterior não importa quando a infinitude se encontra por dentro. E escrever, ah!, escrever! Assim eu poderia me olhar. Um olhar crítico, doce, bruto, singelo. A oposição faz parte do processo. Um processo indelicado, que me leva a crer que eu, na verdade, posso não ser como me vejo, mas sou como me analiso. A falta de um tempo em que "eu" era apenas uma ideia, que já não o é. "EU" sou alguém, tenho uma identidade e me divirto em mesclar as várias faces que de mim se exteriorizam. Num momento, a doce. Noutro, a amarga. Visivelmente a contradição dos pólos se encontram e se amam, transformando-me, não mais, em quem eu realmente posso ser. Assim me olho, caço, procuro um traço que me identifique, não para o outro, mas para mim mesma. Eu leitora de mim mesma. Eu crítica de mim mesma. Eu analista de mim mesma. O outro não está em mim para saber quem sou! Mas o outro pode escrever em mim, deixar uma marca, um sonho, uma linha reta ou curva, sem fim. Posso ser vista pelo outro como quem não sou, como um metal que range, que faz barulho e não vale muito. Ou posso ser vista como não sou de outra forma, a preciosidade de uma pedra lapidada. O que realmente importa é que eu escreva em mim como me vejo, e isso exige senso. Exige fatalidades, criatividades, atividades. Sou assim! A mulher/menina, ainda na oposição de um fogo que queima e teima em crepitar por dentro. Meu destino é ser eu mesma, inscrita em mim como um metal que pode ser lapidado! E assim, poderia dizer, com um misto de inquietação e irritabilidade: Essa sou eu!



Escrito por Rafaela Cristine às 13h28
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